Regime Jurídico
Lei n.º 49/2026,
de 17 de agosto
Foi publicada a 17 de agosto de 2026 a Lei n.º 49/2026, aprovada em votação final global na Assembleia da República a 17 de julho e promulgada a 7 de agosto. O diploma constitui uma autorização legislativa que habilita o Governo a criar o Regime Legal do Processo Especial de Venda de Coisa Imóvel integrada em Herança Indivisa e o Regime Legal da Arbitragem Sucessória determinada pelo autor da sucessão, bem como a introduzir alterações ao Código Civil, ao Código de Processo Civil e ao Regime da Procriação Medicamente Assistida.
O novo processo especial, de natureza urgente, permitirá que qualquer herdeiro, o cônjuge meeiro sobrevivo ou o testamenteiro com poderes de partilha requeira judicialmente a venda de imóvel integrado em herança indivisa, sem necessidade do consentimento dos restantes. Existindo processo de inventário pendente, o pedido poderá ser apresentado de imediato. Nos demais casos, exigir-se-á o decurso de dois anos sobre a abertura da sucessão. Ficam ressalvadas as situações em que tenha sido celebrada convenção de indivisão, em que o direito à partilha não possa ser exercido ou em que a herança se encontre em situação de insolvência, prevendo-se ainda proteção da casa de morada de família. Havendo herdeiros incapazes ou ausentes, a venda dependerá do consentimento do Ministério Público e de autorização judicial.
O diploma prevê igualmente que a administração da herança e as funções de cabeça-de-casal possam ser confiadas a outra pessoa por deliberação de maioria simples dos herdeiros, com ressalva dos casos em que o cabeça-de-casal seja o cônjuge sobrevivo e sem prejuízo das regras próprias aplicáveis quando exista testamenteiro com poderes de partilha.
O regime ainda não se encontra em vigor. A Lei n.º 49/2026 é uma autorização legislativa válida por 180 dias, prazo de que o Governo dispõe para publicar o decreto-lei que cria efetivamente o processo especial. Até lá, o novo processo não pode ser instaurado e o regime sucessório mantém-se inalterado. Os aspetos processuais descritos em seguida resultam da autorização legislativa e do anteprojeto que a acompanha, podendo o texto final apresentar diferenças. Esta página é atualizada logo que o decreto-lei seja publicado.